Nosso planeta está envolto em uma camada de gases, chamados de gases de efeito estufa, que mantém a superfície da Terra numa temperatura capaz de garantir a vida. Essa camada, no entanto, está ficando mais grossa, armazenando mais calor, à medida que nós emitimos mais gases de efeito estufa através da queima de combustíveis fósseis para a produção de energia e da derrubada de florestas para dar lugar à agricultura. O resultado disso é que o clima do planeta está se transformando.

Pesquisas científicas indicam que, por causa dessa mudança climática, nós poderemos vivenciar fenômenos naturais mais intensos e mais freqüentes. Um aumento gradual das temperaturas tem também implicações para os ecossistemas, para os ciclos de vida vegetais, os animais e seus habitats naturais.

Algumas mudanças no clima, no entanto, são inevitáveis: mesmo que paremos de emitir gases agora, nós sentiremos os efeitos dos que já foram liberados na atmosfera. Apesar disso, temos que fazer tudo o que pudermos para evitar mudanças ainda maiores e nos adaptar à nova situação que se projeta.

1) O que é o clima?
2) O que causa as mudanças climáticas?
3) Quais as conseqüências das mudanças climáticas?
4) O que podemos fazer quanto às mudanças climáticas?
1) O que é o clima?
O termo “clima” normalmente se refere ao estado atmosférico (tempo) médio registrado durante um longo período de tempo. Quando o clima do planeta muda, o tempo observado diariamente num determinado local pode mudar também.

Ao longo dos milhões de anos de existência da Terra, o clima do planeta mudou várias vezes. Porém, atualmente o termo “mudança climática” é usado para descrever as transformações ocorridas no clima global nos últimos cem anos, aproximadamente, e as que vão acontecer nos próximos cem anos ou mais.
2) O que causa as mudanças climáticas?
Sempre haverá dúvidas quando se trata de entender um sistema complexo como o clima do mundo. No entanto, hoje existem evidências e praticamente unanimidade quanto ao fato de que um aquecimento global significativo está de fato ocorrendo. Acredita-se também que grande parte do recente aquecimento do planeta pode ser atribuída à atividade humana.

Causas Naturais

Algumas mudanças no clima global são causadas pelas interações entre o sol, a terra, os oceanos e a atmosfera. Isso geralmente acontece em longos períodos de tempo.

Causas Humanas

A atividade humana mudou a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera de duas maneiras.
Primeiro, nós derrubamos florestas para dar espaço à agricultura. E as árvores absorvem dióxido de carbono - então, com menos árvores, uma quantidade maior desse gás chega à atmosfera. A atividade da agricultura que substitui a vegetação pode também ser uma fonte de emissão de gases de efeito estufa.
Em segundo lugar, ao queimarmos combustíveis fósseis como o carvão, o petróleo e gás natural para a produção de energia, nós liberamos gases de efeito estufa.

De acordo com o IPCC, durante a década de 1990 foram emitidas 23,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, que equivalem a 6,4 bilhões de toneladas de carbono. Entretanto, segundo o 4º relatório do IPCC (AR4 – WGI), lançado em 2007, o volume estimado médio anual de emissões de carbono devido à queima de combustíveis fósseis entre 2000 e 2005 aumentou para 7,2 bilhões de toneladas de carbono, equivalente a 26,4 bilhões de toneladas de dióxido de carbono).

Desde antes da Revolução Industrial, que começou no século XVIII, a concentração atmosférica do dióxido de carbono (principal gás de efeito estufa) sofreu um aumento de 35,3% (280 ppm – partes por milhão em 1800 e 379 ppm em 2005).
3) Quais as conseqüências das mudanças climáticas?
Mesmo que nós paremos de queimar combustíveis fósseis e de derrubar florestas hoje, o clima da Terra irá esquentar nos anos que estão por vir. Existe um retardo de tempo entre o período em que as emissões começam a ocorrer e o momento em que começamos a sentir os seus efeitos. Por isso, nós ainda não temos vivenciado o impacto de emissões de gases realizadas nos últimos 30 a 40 anos. Os cientistas identificaram alguns dos efeitos desse aquecimento.

Chuvas

Algumas regiões irão sofrer excesso de chuvas, enquanto outras sofrerão períodos prolongados de estiagem.

Nível do Mar

Estimativas indicam que o nível do mar pode subir mais de 80 centímentros até o fim deste século. Há duas razões para isso. A primeira é que, à medida que os oceanos têm suas águas aquecidas, eles sofrem uma expansão. A segunda razão é que o gelo na Groenlândia e na Antártica, além das geleiras, está derretendo e se misturando ao mar. O aumento do nível do mar irá acabar com alguns pequenos estados localizados em regiões baixas e pôr em risco a vida de milhões de pessoas.

Quanto ao Ártico, o eventual derretimento de seu gelo não implica em aumento do nível dos oceanos, visto que se trata de gelo que já se encontra na água, ao contrário da Groenlândia e do continente Antártico, que são massas de terra com gelo em cima, que se derreter, irá se dirigir aos oceanos, aumentando o seu nível.

Água

Deverá haver menos água para consumo humano e disponível para irrigação em certas localidades devido à uma reduzida pluviosidade e menor quantidade de água oriunda de geleiras, que alimentam muitos rios importantes do mundo. Mais de três bilhões de pessoas podem sofrer com a escassez de água até 2080. O norte da África, o Oriente Médio e o subcontinente indiano devem ser os mais afetados.

Cultivos

À medida que as temperaturas subirem e os padrões de chuva se modificarem, o rendimento na colheita de cereais deve diminuir substancialmente na África, no Oriente Médio e na Índia.

Doenças

À medida que as temperaturas aumentam, as áreas que enfrentam doenças como malária, vírus do Oeste do Nilo, dengue e oncocercíase ocular (“cegueira de rio”) poderão se expandir ainda mais. Estima-se que mais 290 milhões de pessoas sejam expostas à malária até 2080, sendo a China e a Ásia Central as regiões em que o risco mais cresce.

Florestas Tropicais

Temperaturas mais elevadas e menos chuvas podem significar a perda de vastas áreas de florestas tropicais no Brasil e no sul da África, além das áreas que o homem já vem derrubando para abrir espaço para a agricultura. Essas áreas, hoje, atuam como um “sumidouro”, absorvendo grandes quantidades de dióxido de carbono, e, sem este recurso, a emissão deste gás para a atmosfera tende a aumentar.
4) O que podemos fazer quanto às mudanças climáticas?
Nós não podemos interromper os efeitos das emissões de gases poluentes que já estão acontecendo. Mas nós podemos influenciar o futuro.

A maioria dos cientistas concorda que, para evitar mudanças radicais de temperatura no futuro, é preciso agir agora. Muitos acreditam que as emissões de gases do efeito estufa, que continuam a aumentar, precisam começar a declinar nos próximos dez a 20 anos para evitar mudanças extremas no nosso clima.

O dióxido de carbono é o principal gás causador do efeito estufa. Cada tonelada que chega à atmosfera contribui para o aquecimento do planeta. E quando nós evitamos que uma tonelada seja emitida, nós ajudamos a reduzir esse risco.

A boa notícia é que existem muitas maneiras de nós combatermos as mudanças climáticas. Muitas delas trarão outros benefícios, como geração de empregos, desenvolvimento de determinadas regiões e crescimento econômico. Porém, o primeiro passo é aumentar a consciência e o entendimento das pessoas quanto ao que está acontecendo.

Apesar de pesquisas mostrarem que no Reino Unido a maioria das pessoas ouviu falar em “mudança climática” e “aquecimento global”, a compreensão das razões que levam às mudanças no clima continua reduzida. Disseminando informações corretas sobre as mudanças climáticas, nós poderemos garantir a existência de um suporte para que seja alcançado o objetivo de que a geração atual, unida, enfrente as mudanças que o clima vem sofrendo.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto para Mudança Ambiental da Universidade de Oxford em parceria com a consultoria Nielsen Europe mostrou que, no Brasil, 24% das pessoas são conscientes em relação às questões ambientais. O país aparece em sétima posição no ranking divulgado, que também revela que no Reino Unido 15% da população são conscientes. O estudo, publicado no site Ecoagência, mostra ainda que os países que mais se preocupam com o assunto são Suíça (36%), França (32%), Austrália (31%) e Canadá (31%).

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