Vários mitos e confusões sobre mudanças climáticas ainda aparecem na mídia e nas conversas entre as pessoas. O resultado disso é que fica difícil, às vezes, separar os fatos da ficção, e com isso certas atitudes podem se mostrar difíceis de serem mudadas. Muitos dos mitos populares disseminados não têm nenhuma relação com a verdade. Aqui você pode conhecer alguns dos erros mais comuns encontrados nas discussões sobre mudanças climáticas e aprender a identificar e explicar qual a realidade que está por trás de cada um deles.

1) O clima está sempre mudando
2) Mudanças climáticas não têm fundamentos científicos
3) A atividade humana não produz mudanças climáticas
4) Já é tarde para reverter o processo
5) Se eu agir, não vai fazer diferença
6) Mudanças climáticas tornarão a vida mais confortável em lugares frios
7) Enfrentar mudanças climáticas significa fazer grandes sacrifícios
1) O clima está sempre mudando
É verdade que mudanças naturais no clima do planeta aconteceram no passado – mas às vezes há um exagero quanto a isso ter resultado em extinções em massa. Nós agora estamos lidando com uma enorme mudança no clima que nós mesmos causamos.
2) Mudanças climáticas não têm fundamentos científicos
Pesquisadores vêm pensando as relações entre as emissões de gases e o nosso clima desde os anos 1800 – dê uma olhada na linha do tempo da mudança climática neste site. Boa parte da pressão atualmente exercida sobre os políticos para fazerem algo quanto à mudança climática vem de cientistas capazes de enxergar as sérias transformações que estão por vir.

Em 1988, a World Meteorological Organization (Organização Meteorológica Mundial) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente se uniram para formar o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Esses órgãos agem juntos e têm acesso às melhores informações científicas e técnicas disponíveis no mundo. Centenas de cientistas de todas as partes do mundo estão envolvidos. Seu último relatório alertou para a possibilidade de que a média global das temperaturas do planeta aumente até 5,8ºC até o fim do século. Em 2005, 11 academias nacionais de ciência dos países do G-8 e também do Brasil, da China e da Índia, enviaram uma mensagem sem precedentes para líderes globais apontando suas preocupações com a necessidade de ações relacionadas às mudanças climáticas. O documento convocou líderes mundiais a agir, afirmando que o entendimento científico das mudanças climáticas era agora suficientemente claro para justificar ações realizadas por determinadas nações.
3) A atividade humana não produz mudanças climáticas
A maioria dos cientistas está convencida de que a maneira como nós vivemos afeta o clima. O Hadley Centre, que tem um dos principais modelos de clima global, recentemente analisou o que o efeito de mudanças naturais nas temperaturas seria se comparado com as mudanças observadas nos últimos 150 anos. Eles encontraram uma grande discrepância. Porém, quando adicionaram efeitos humanos aos efeitos naturais, o resultado ficou bem próximo.

Isso não é surpreendente, já que sabemos que os gases de efeito estufa mantêm a superfície da Terra aquecida e que concentrações desses gases estão aumentando. Nós emitimos gases do efeito estufa quando usamos energia extraída de combustíveis fósseis (carvão, gasolina, petróleo ou eletricidade gerada a partir desses recursos). Nós também alteramos o equilíbrio dos gases presentes na atmosfera quando deflorestamos áreas para utilizá-las para a agricultura, estradas, cidades etc.
4) Já é tarde para reverter o processo
Há algumas transformações que já aconteceram e que não podemos reverter. No entanto, agindo agora, podemos reduzir o risco de grandes mudanças ocorrerem com nosso clima e reduzir os impactos enfrentados tanto por nós quanto pelas gerações futuras.

O último relatório do IPCC indica que, se nós conseguirmos estancar as emissões de gases poluentes e fazê-las começarem a declinar nos próximos 10-20 anos, o risco de mudanças de temperatura acima de 2ºC diminuirá sensivelmente. Este é um desafio enorme, mas que pode ser realizado – e é por isso que o nosso objetivo é fazer com que a geração atual, unida, enfrente as mudanças climáticas.
5) Se eu agir, não vai fazer diferença
Na verdade, qualquer redução na emissão de gases que ocorrer - não importa onde - faz diferença, evitando que os riscos aumentem. Além disso, alguns países como o Brasil estão numa posição favorável para dar um exemplo positivo para o resto do mundo. Nós precisamos que outros países também ajam, mas se nós mostrarmos que podemos ter sucesso no combate às mudanças climáticas eles irão se juntar a nós neste desafio.
6) Mudanças climáticas tornarão a vida mais confortável em lugares frios
É verdade que as mudanças climáticas podem resultar num clima mais ameno no Reino Unido, por exemplo. Mas o clima pode se tornar também imprevisível e radical, o que seria desagradável para muitas pessoas. O Reino Unido poderia ter invernos mais quentes, mas eles provavelmente seriam também mais úmidos. E, no verão, o calor em excesso causaria problemas para as pessoas mais velhas, as muito novas e aquelas com problemas de saúde. Existem ainda os riscos de aumento do nível do mar e de fenômenos naturais como tempestades e enchentes, que causam transtorno em áreas vulneráveis. Então, enfrentando as mudanças climáticas e ajudando a garantir um clima mais estável para a população do planeta, poderemos fazer com que a vida seja muito mais confortável para nós, no fim das contas.
7) Enfrentar mudanças climáticas significa fazer grandes sacrifícios
Enfrentar as mudanças climáticas não é uma tarefa fácil, e exigirá sacrifícios na economia de todos os países, em particular daqueles altamente dependentes de energia a partir de combustíveis fósseis. No entanto, o estudo mais completo feito sobre os impactos econômicos das mudanças climáticas (o relatório Stern, de 2006), mostra claramente que este sacrifício é tão menor quanto mais cedo as ações se iniciarem. À medida que nós substituirmos os combustíveis fósseis por alternativas mais “limpas” da energia (que emitem menos GEEs), os diversos setores da economia terão que se adaptar a uma oferta de energia menos farta, estimulando o advento de tecnologias e hábitos que preconizem o uso mínimo deste recurso.
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